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Educando futuros adultos

Os problemas de âmbito psicológico não são uma realidade contemporânea. Todavia, o que se verificava era um enorme desconhecimento sobre os mesmos.

À medida que vou acompanhando adultos em consulta de psicologia, vou-me apercebendo que muito daquilo que estas pessoas são, bem como muitos dos sintomas que manifestam, se interligam de forma bastante coesa com a educação que receberam. Até aí todos seríamos capazes de concordar. Contudo, não falamos apenas de adultos que sofreram traumas na infância. Falamos também de crianças que receberam uma educação onde a proteção ultrapassa a barreira do saudável. São estas crianças que nunca necessitaram ultrapassar obstáculos, que nunca sentiram a responsabilidade e às quais nunca foi dada suficiente autonomia, que mais tarde desenvolvem personalidades patológicas, como por exemplo personalidades dependentes.
As boas intenções destes pais não são questionáveis, bem como o amor que nutrem pelos seus filhos. Todavia, estes zelosos pais, vão amando os seus filhos, ao mesmo tempo que condicionam o seu futuro. Estas crianças tenderão a tornar-se adultos que dependem excessivamente dos outros, que não conseguem tomar decisões sozinhos, que necessitam de alguém sempre a seu lado, que não conseguem enfrentar os problemas com os quais se irão deparar ao longo da vida, nomeadamente a necessidade de sair de casa para ir estudar ou trabalhar. No entanto, estes pais, apenas amaram os seus filhos.
Mas, será esta relação tão linear assim? No ser humano, nada é linear. E existe algo a que chamamos “resiliência”, ou seja, capacidade de superar obstáculos e reinventar-se perante as adversidades. Existem também as características individuais de cada um, bem como as relações que se estabelecem com o meio envolvente, o que faz de nós, seres biopsicossociais. Quer isto dizer que, apesar do tipo de educação recebida, o ser humano tem a capacidade de seguir o seu caminho saudavelmente, uma vez que o peso dos restantes fatores é igualmente grande.
É com tristeza que, ao acompanhar crianças e adolescentes, verifico o adulto que muitos pais estão a formar. É com desilusão que observo formas parentais de tal modo desajustadas, que o desfecho será a formação de um adulto com graves problemas ao nível psicológico, problemas estes que condicionarão acentuadamente a realização plena e felicidade deste futuro adulto.
Assim, é impreterível que se adotem formas educativas saudáveis, que promovam a autonomia ao mesmo tempo que fornecem o adequado suporte emocional e afetivo.

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