O caso de Lindsay Clancy, uma mulher norte-americana acusada da morte dos seus três filhos enquanto atravessava um período de grave sofrimento psicológico no pós-parto, chocou a opinião pública e trouxe novamente para a discussão a importância da saúde mental materna. Sem retirar a complexidade e as circunstâncias específicas deste caso, importa olhar para uma questão mais ampla: o que acontece quando o sofrimento psicológico no pós-parto não é reconhecido a tempo?
O pós-parto nem sempre é apenas cansaço, alterações de humor ou dificuldade em adaptar-se a uma nova rotina.
A depressão pós-parto e a psicose pós-parto são condições de saúde mental distintas, mas ambas exigem atenção e apoio.
Na depressão pós-parto, podem surgir tristeza persistente, perda de interesse, culpa intensa, ansiedade, alterações do sono e do apetite, dificuldade em criar vínculo com o bebé ou pensamentos de incapacidade.
A psicose pós-parto, embora rara, é uma emergência psiquiátrica. Pode surgir de forma rápida e envolver confusão, delírios, alucinações, alterações marcadas do comportamento ou dificuldade em distinguir a realidade.
Na nossa prática clínica, temos acompanhado mulheres que vivem uma depressão pós-parto e é particularmente marcante perceber como, muitas vezes, o sofrimento pode permanecer escondido por detrás daquilo que socialmente esperamos que seja “normal” depois de ter um bebé.
Falar sobre saúde mental no pós-parto é falar sobre reconhecimento, prevenção e procura de ajuda.
Nem tudo deve ser normalizado como “faz parte de ser mãe”.
Reconhecer os sinais e procurar ajuda atempadamente pode fazer uma diferença importante na vida da mãe, do bebé e de toda a família.