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Férias: luxo ou necessidade?

A propósito da minha própria experiência de férias de verão, o merecido descanso das inúmeras tarefas e responsabilidades que a profissão exige, e enquanto apreciava as ondas do mar em Cabo Verde, decidi escrever propósito do tema no blog da semana.

Após uma breve pesquisa de artigos científicos, reuni alguns pontos que, em caso de dúvida, reforçam e relembram as vantagens a nível de saúde e bem estar geral de usufruir de uma (ou várias) pausas laborais. Quando confrontados com o tema, os investigadores parecem focar-se em algumas questões centrais: precisamos de férias? Se sim, qual o tempo de férias necessário para que se obtenham os benefícios necessários à saúde e bem estar?

Segundo a teoria do “efeito-recuperação”, do inglês Effort-Recovery theory (Meijan and Mulder 1998), o esforço exercido e associado ao trabalho tem um custo psíquico e fisiológico (como por ex. a fadiga etc.). A propósito, quando o custo é intenso, e os trabalhadores são expostos regularmente a situações de stress, sem oportunidade de recuperar nos intervalos, a sua saúde e bem estar fica em risco (Belkic et al. 2004). As férias representam uma oportunidade, a mais longa em duração de tempo, onde é possível recuperar o bem estar e saúde geral mantendo-se ausente do trabalho. Vários estudos têm referido as vantagens associadas ao período de férias:

– aumento da satisfação com a vida em geral (Lounsbury and Hoopes 1986)
– melhoria do humor (Nawijn et al 2010; Strauss- Blasche et al 2000)
– níveis mais reduzidos de queixas de saúde (Fritz and Sonnentag 2006)
– menores níveis de exaustão depois do período de férias (Kuhnel and Sonnentag 2011; Westman and Eden 1997)

As férias representam ainda uma oportunidade de evitar a desmoralização dos trabalhadores e a melhoria da resiliência ao esforço. Permitem a capacidade de obter novas perspetivas sobre a vida, aumentar a criatividade e melhorar a qualidade das relações (Bloom et al 2012). São uma oportunidade para “recarregar baterias” e renovar recursos perdidos, embora estes efeitos positivos persistam apenas por tempo limitado após o período de férias (Bloom et al 2012). Uma vez que estes efeitos positivos decrescem com o passar do tempo após o período de férias, parece ser benéfico, e em resposta à pergunta “qual o tempo de férias necessário para que se obtenham os benefícios necessários à saúde e bem estar”, optar por ter vários períodos de férias ao longo do ano, ao invés de um único período mais extenso, intercalados de períodos de investimento e esforço laboral (Bloom et al 2012).

Por último, mas não menos importante, referir que as experiências vividas durante as férias, mais do que apenas o descanso em si, parecem ser o fator mais importante para a saúde e bem estar geral; as férias devem por isso ser preenchidas com atividades prazerosas (Bloom et al 2012), de acordo com as preferências individuais.

Portanto já sabe. Desfrute ao máximo das férias. Sem culpa.

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