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“Ele é que vai para a creche mas sou eu que choro”

A entrada na creche representa uma grande mudança na vida da criança, mas também na vida dos pais.

É uma nova rotina, um novo espaço, novas pessoas e, para muitas famílias, várias horas do dia passam a ser vividas longe uns dos outros. É natural que esta mudança desperte emoções.

Os pais podem sentir medo, preocupação, culpa, saudade ou insegurança. Podem surgir pensamentos como: “E se ele chorar quando eu me for embora?”, “E se não se adaptar?” ou “E se sentir que o abandonei?”

Estas preocupações são compreensíveis. Afinal, estamos perante uma separação e uma mudança significativa na rotina familiar.

Pode existir a sensação de estar a “deixar” o filho ou de não estar tão presente quanto gostaríamos.

Mas é importante lembrar: colocar uma criança na creche não significa abandoná-la.

O vínculo não depende apenas do número de horas que passamos juntos, mas também da qualidade da relação, da disponibilidade emocional e da consistência dos cuidados.

É natural sentir saudades mas isso não significa que a decisão esteja errada. Significa que aquela relação é importante para nós.

Enquanto a criança aprende a confiar num novo espaço e em novas pessoas, os pais aprendem a lidar com a separação e com a necessidade de confiar. E não é preciso estar sempre confiante para estar a fazer tudo bem.

Como podemos tornar esta fase mais tranquila?

Dar espaço às emoções: reconhecer a ansiedade ou a tristeza pode ajudar-nos a lidar melhor com elas.

Transmitir segurança: não precisamos de esconder o que sentimos, mas podemos transmitir confiança na nova rotina.

Respeitar o ritmo de cada criança: cada adaptação é única e não precisa de ser comparada com a de outras crianças.

Criar momentos de ligação: depois da creche, pequenos momentos de presença, colo e brincadeira podem ser muito importantes.

Cuidar também de nós: os pais também precisam de espaço para processar esta mudança.

A entrada na creche marca o início de uma nova etapa. Pode trazer dúvidas, medo, saudade ou até culpa. Mas a separação durante algumas horas não apaga o vínculo.

 

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